XVII Congresso Nacional de Direito do Trabalho

A exclusão social advém, em muitos casos, de um desemprego errático. O Direito do Trabalho, não sendo remédio taumatúrgico, pode e deve contribuir para minorar flagelo tão dramático.

Que medidas normativas devem ser adotadas?
Qual o papel da jurisprudência ao nível da jurisdictio? 
Que compromissos podem ser assumidos através de um diálogo social construtivo?
 
Eis algumas questões a que o XVII Congresso não pode ficar indiferente.

Organização Internacional do Trabalho contra "medidas indiscriminadas" em Portugal

Desde o início da crise, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos - a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha.

O director do Instituto de Estudos sobre o Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que o caso português não recomenda "medidas indiscriminadas de cortes orçamentais, sobretudo em áreas importantes para o emprego".

Em declarações à Lusa, Raymond Torres afirma que, "se há dispositivos ineficazes ou despesas inúteis, a racionalização do orçamento público é normal", desde que não cause problemas adicionais no "crescimento económico e desemprego".

Nos últimos anos, "entre as políticas adoptadas como consequência do pedido de assistência" financeira, verificaram-se "algumas medidas que claramente afectaram o crescimento económico e o desemprego", sustenta Raymond Torres.
"Se a Europa tivesse tido à disposição instrumentos de coesão mais fortes na Zona Euro" e "se houvesse uma verdadeira união bancária, possivelmente a situação actual podia ter sido diferente", argumenta.

"Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos - a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha", refere o relatório sobre o mercado de trabalho e o desemprego em Portugal, apresentado esta segunda-feira.

Para o dirigente da OIT, a actual situação "tem consequências graves em termos de confiança nos sistemas políticos e pode causar uma fragmentação dos sistemas políticos, um desinteresse crescente acerca do sistema eleitoral", compreendendo a fuga de mão-de-obra qualificada para outros países....

In: RR
05/11/2013

Direcção da PJ desmente que se guardem ficheiros secretos em casa

Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal afirma que elementos da Judiciária estão a guardar informação classificada em discos externos, devido a dificuldades no sistema informático.

A direcção nacional da Polícia Judiciária (PJ) desmente a notícia avançada esta segunda-feira que dava conta de que elementos da PJ estariam a guardar ficheiros secretos em discos externos, por vezes em casa, porque o sistema informático já está nos limites.
Em comunicado, a direcção nacional da Judiciária desmente "categoricamente" a notícia e diz que quaisquer ficheiros protegidos pelo dever de segredo não podem sair do sistema informático oficial, caso contrário seria uma irregularidade susceptível de processo disciplinar.

A notícia foi primeiro avançada pelo "Diário de Notícias". A Renascença falou com o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), Carlos Garcia, segundo o qual os inspectores são, “por vezes, contactados pela unidade de informática, dizendo-nos que o espaço no servidor está no limite e que é necessário tirarmos alguns documentos no espaço que ocupamos para o computador trabalhar”.

“De momento, os colegas estão a guardar a informação em discos externos”, uns seus outros da própria unidade de informática", acrescentou, referindo que está pedida uma reunião à tutela e à direcção da Polícia desde Setembro.

O jornal cita também fonte da ASFIC, segundo a qual os elementos da Judiciária, por ordem das chefias, estão a guardar informação classificada em discos externos.

In: RR
04/11/2013

Juízes "estão no limite da indignação"

Os juízes "estão no limite da indignação" com a sua situação e a dos tribunais, exigindo serem reconhecidos como "órgão de soberania", realçou, este sábado, o presidente da respetiva Associação Sindical, Mouraz Lopes.

O dirigente falava no final de uma reunião do Conselho Geral da Associação Sindical dos Juízes (ASJ), no Porto, que visou preparara a Assembleia geral marcada para dia 9, em Coimbra, mais "o mais importante foi a unanimidade" face à situação que se vive no setor.
"Hoje ouvimos os colegas de todo o país demonstrar a necessidade de dizer um basta", salientou Mouraz Lopes.

"Os juízes estão no limite da indignação. O que pedem é que seja reconhecido pela Assembleia da República e o Governo que nós somos um órgão de soberania com pessoas que trabalham em exclusividade de funções, que vivem apenas e só do seu rendimento salarial e que têm que ter um estatuto protegido", realçou.

Mouraz Lopes referiu que "protegido não é serem diferentes ou excecionais em relação aos outros cidadãos, é terem um estatuto jurídico e remuneratório que lhes permita, com total dignidade, desempenharam as funções de soberania".

Os juízes dizem-se "indignados" com o Orçamento Geral do Estado para 2014, que consideram "claramente inconstitucional em relação aos cortes que são feitos e sobretudo em relação à lei orgânica dos tribunais e ao enorme corte do quadro dos juízes" proposto.

O presidente da ASJ disse, ainda que as queixas recentes da Procuradoria-Geral da República "são mais um sintoma do grande mal-estar" face à situação atual da justiça.
Para Mouraz Lopes, "há um mal-estar institucional que tem de ser levado em consideração".
"É tempo de dizer basta é e tempo de olhar para a justiça com os olhos que a justiça merece. A justiça não pode ser tratada a não ser como função de soberania", insistiu.

Mouraz Lopes crê que a assembleia geral da ASJ do próximo dia 9 "irá certamente aprovar medidas que demonstrem esta insatisfação dos juízes, este momento de grande indignação", tendo, porém, acrescentado que "não vale a pena estar a antecipar cenários" quanto a isso.
Instado, por outro lado, a pronunciar-se sobre as críticas que têm sido feitas ao Tribunal. Constitucional (TC), Mouraz Lopes considerou que "não se está a respeitar" aquele tribunal
"É isso tudo que tem criado este grande mal-estar e que nunca aconteceu nos últimos anos na justiça, em Portugal", sustentou.

O dirigente considerou que "é inadmissível a pressão que está a ser feita quer nacional quer internacionalmente sobre o TC".

"Isto nunca foi feito em lado nenhum da Europa. Nenhum país democrático faz pressões sobre os TC como foram feitas em Portugal nos últimos tempos, nenhum país que respeite a separação de poderes faz críticas violentíssimas à atuação do TC, atribuindo a causa, quase, da crise ao TC", afirmou

"Isto não é feito em lado nenhum", reforçou ainda.

03/11/2013

Magistrados anunciam greve

Falta marcar a data, mas as razões estão bem definidas. Entre elas estão a contínua destruição do Estado Social e da economia real, a violação de princípios basilares do Estado de Direito democrático e o falhanço concretizado dos “longos e duríssimos sacrifícios exigidos aos portugueses desde 2011”.

O Ministério Público anunciou este sábado que vai uma jornada de protesto com greve pela dignificação do sistema de Justiça, do estatuto socioprofissional dos magistrados, da independência do poder judicial e do Estado Social de Direito.

A decisão foi tomada num assembleia geral que decorreu em Coimbra.

Num documento enviado à Renascença, os magistrados criticam a contínua destruição do Estado Social e da economia real e a violação de princípios basilares do Estado de Direito democrático, como os princípios da intangibilidade dos salários, da igualdade, da proporcionalidade, da tutela da confiança e da progressividade e suportabilidade do imposto sobre o rendimento pessoal.

Lembram ainda que se concretizou a previsão de falhanço dos sacríficos “longos e duríssimos exigidos aos portugueses desde 2011”, que acabaram por não trazer “qualquer benefício ao país, continuando por resolver os problemas estruturais do Estado e da economia”.

No comunicado saído da assembleia geral, o Ministério Público afirma ainda que “continua sem haver qualquer verdadeira reforma do Estado”, não se perspectivando “que venha a haver ainda nesta legislatura”.

“Sucedem-se medidas pontuais, desconexas, não estudadas plenamente quer quanto aos efeitos sobre a economia, quer sobre as pessoas e as empresas, sacrificando despreocupadamente algumas classes de cidadãos”, condena.

Os magistrados criticam também as contradições ouvidas: se por um lado se diz que “o país não aguentaria outro aumento de impostos, é precisamente isso que se faz, mas não de forma assumida e equitativa”, apesar do que se diz da proposta de Lei do Orçamento do Estado.

“Como o Tribunal Constitucional vem afirmando de forma inequívoca, a imposição de sacrifícios mais intensos aos trabalhadores que exercem funções públicas não pode ser justificada por factores macroeconómicos relacionados com a recessão económica e o aumento do desemprego, que terão de ser solucionados por medidas de política económica e financeira de carácter geral, e não por via de uma maior penalização daqueles que servem o Estado”, lê-se ainda.

Com a jornada de luta com greve, os magistrados pretendem “manifestar solidariedade com todos os cidadãos, que, em Portugal e no resto da Europa, de forma responsável e no respeito das normas constitucionais e legais, se têm manifestado e continuarão a manifestar-se civicamente na defesa do Estado Social de Direito contra políticas lesivas da democracia, comprometedoras do progresso económico e social.

Querem ainda “exigir ao Governo que garanta ao Ministério Público o número de magistrados e de oficiais de justiça adequados ao cabal desempenho das suas funções” e “a abertura de um processo negocial tendente à revisão do sistema de fixação da remuneração dos magistrados que garanta a sua independência face aos poderes legislativo e executivo”.

In: RR
03/11/2013

Menos acções executivas pendentes no segundo trimestre de 2013

Também se extinguiram as acções por falta de impulso processual há mais de seis meses por ausência de bens penhoráveis dos devedores
 
As ações executivas pendentes nos tribunais diminuiram quase cinco no segundo trimestre deste ano, comparativamente com o período de janeiro a março, existindo atualmente cerca de 1,1 milhões de processos.

O boletim trimestral da Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) indica que, no final do primeiro trimestre, estavam pendentes nos tribunais um total de 1.212.504 ações, enquanto de abril a junho aguardavam decisão 1.153.140.

Relativamente ao segundo trimestre de 2012 (1.243.278), houve igualmente uma diminuição de 7,3 por cento (1.153.140) no número de ações executivas pendentes nos tribunais de primeira instância.

A taxa de resolução processual por trimestre encontra-se em 190,3% de abril a junho deste ano, um aumento de 31,3 pontos percentuais do verificado na amostragem de janeiro a março.

Comparativamente com o período homólogo de 2012, registou-se um aumento de 99,1 pontos percentuais face ao valor de 91,1% registado.

Na duração média das ações executivas findas de abril a junho de 2013, os dados da DGPL revelam aumento de 40 para 49 meses relativamente ao segundo trimestre de 2012.
O organismo do Ministério da Justiça explica a entrada em vigor no início deste ano de nova legislação sobre ação executiva, extinguindo-se as ações anteriores a 15 de setembro de 2003 sem qualquer movimento processual por um período superior a seis meses, pode ser uma das causa do aumento do tempo de resolução das ações.

Também se extinguiram as ações por falta de impulso processual há mais de seis meses por ausência de bens penhoráveis dos devedores.

In: ionline
01/11/2013

PGR: Visados em processos vão passar a ser informados de arquivamento

A procuradora-geral da República afirmou hoje que, a partir de agora, o arquivamento dos processos administrativos vai ser comunicado ao interessado, na sequência do anúncio, feito na quarta-feira, relativo ao homólogo de Angola, João Maria de Sousa. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou na quarta-feira o arquivamento do "processo administrativo" relativo ao Procurador-geral da República de Angola, João Maria Moreira de Sousa, relacionado com branqueamento de capitais. 

Joana Marques Vidal acrescentou que habitualmente o arquivamento deste tipo de processo não era comunicado ao visado, explicando que, só no ano passado, a PGR recebeu mais de duas mil comunicações relativas a transacções financeiras consideradas suspeitas.
"Este ano, já temos quase duas mil comunicações", acrescentou.

Ao abrigo da legislação portuguesa e comunitária, as entidades bancárias são obrigadas a comunicar quaisquer transacções que considerem suspeitas, dando lugar à abertura de processos administrativos obrigatórios, disse. 

"Até agora, nos milhares de comunicações não houve o hábito de comunicar o arquivamento (...) não está prevista na lei a comunicação", explicou. 

A procuradora-geral acrescentou que "não poderia comunicar o arquivamento deste processo quando ainda estava em fase de estudo e nem tinha sido comunicado ao interessado.
Joana Marques Vidal lembrou que a investigação se referia ao cidadão angolano João Maria de Sousa, "que neste momento desempenha a atividade de procurador-geral" de Angola.
Por isso, pediu ao gabinete para estudar a possibilidade de comunicar este arquivamento, "dada a pessoa em causa", sublinhou. 

"Relativamente a cidadãos angolanos, continuam pendentes, estão instaurados e em investigação vários processos administrativos, como existem vários, não é um (...), processos de inquérito em que estão envolvidos cidadãos angolanos", considerou. 

Algumas queixas foram apresentadas junto do Ministério Público português por cidadãos angolanos ou pelo Estado angolano e estes inquéritos vão seguir uma tramitação normal, sem qualquer tipo de distinção, declarou a procuradora-geral da República.
Instada a afirmar se cabia ao Ministério Público apresentar um pedido de desculpas, Joana Marques Vidal não respondeu. 

O anúncio do arquivamento do processo relativo ao PGR de Angola ocorre depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, Rui Machete, em entrevista à Radio Nacional de Angola, no início de Outubro, ter pedido desculpa a Luanda por investigações do Ministério Público português a altas figuras do regime angolano.

"Tanto quanto sei, não há nada de substancialmente digno de relevo e que permita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos formulários e de coisas burocráticas", disse então Rui Machete, justificando que a Procuradora-Geral da República "deu informações genéricas" que "asseguram que as coisas não tinham nenhum grau de gravidade".

Na sequência da polémica causada pela entrevista àquela rádio, e numa nota enviada à agência Lusa, Rui Machete justificou as declarações com a interpretação de um comunicado do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de 2012.
Esta situação levou toda a oposição a pedir a demissão do ministro, que foi chamado a dar explicações em sede de Comissão Parlamentar, mas o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que mantinha a confiança em Rui Machete.

O caso gerou tensão nas relações Angola-Portugal, com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a comunicar, a 15 de Outubro, o adiamento da parceria estratégica entre os dois países, numa altura em que estava prevista para Fevereiro de 2014 a realização da cimeira Portugal-Angola, em Luanda. 

In: SOL
31/10/2013